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Na montra

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Carlos Fernandes, Álvaro Mendonça e Carlos Silva
No dia 12 de Dezembro de 2009 foi apresentado na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Leiria, o primeiro livro da colecção “Poesia – novos talentos” da editora Textiverso, que tem por título “Murmúr(i)os e outras imagens faladas”, com texto de Carlos Alberto Silva e fotografias de Carlos Fernandes.
As composições são inspiradas na técnica desenvolvida por alguns autores japoneses: primeiro um comentário em prosa, por vezes poética, depois um poema curto, seguindo a estrutura e métrica do tanka, por vezes com rima, outras não. Os temas são tão variados quanto as fotos: a natureza, as artes, os temas sociais, a liberdade, a voragem do tempo, a própria poesia, entre outros.

Vista geral da sala
A apresentação foi da responsabilidade do Dr. Álvaro Mendonça que considerou o livro «um exercício lúdico», como acredita «que toda a arte deve também ser», e, neste caso, «assente no número dois: a dualidade inicia-se pela génese – dois autores, duas linguagens». Explicando: «De um lado, o esquerdo, uma frase, uma história, uma palavra, num discurso fotográfico, cativante e envolvente, que a opção do preto e branco acentua. Nas fotografias, alternam-se perspectivas e olhares que revelam, claramente, o ecletismo do autor (…).» Completando: «O dois tem sempre continuidade à direita, dezanove vezes, pela mão do outro autor, Carlos Alberto Silva: aí, absorvente, está o texto, despertando intertextualidades. Primeiro um título, quase sempre nominal, depois uma legenda, sussurrando Almada, que enceta o diálogo, onde se misturam as vozes fotográfica e textual, antecipando a beleza da simplicidade dos breves poemas, em jeito de tankas japoneses, mas enriquecidos pela linguagem nossa, portuguesa.»
O texto merece uma atenção ainda mais detalhada de Álvaro Mendonça: «São um tipo de poema depurado, belo, simples e fluente. Surgem como natural reacção estética minimalista à crescente consciência humana do olhar fixado pela objectiva. Simulam, por vezes, uma quase-dor telúrica, uma relação entre o particular e o geral, entre o mais individualmente percebido e o ritmo cósmico da natureza, entre a efemeridade da sensação e o eco que esta pode despertar quer na nossa sensibilidade, quer na nossa memória.»
O título é igualmente objecto da análise do apresentador que considera que até nele «o carácter lúdico do jogo a dois se acentua» Ou seja: «A polifonia das vozes múrmuras, o jogo de indeterminação calculada na classificação gramatical, essa ambiguidade sugerida na hesitação do substantivo e do adjectivo, logo disfarçada pela adição de “outras imagens faladas” são motivo de atracção do leitor, de teia que nos envolve, de desafio voluptuoso.»
O leitor pode ler o texto de apresentação neste website, na rubrica “Apresentações”.